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Correntes marítimas podem ter levado barco com migrantes africanos mortos até litoral do PA em viagem que durou meses

As investigações preliminares da Polícia Federal revelam indícios de que as mortes de pessoas encontradas dentro de um barco no Pará podem estar associadas ao crime de contrabando ilegal de imigrantes. Especialistas sugerem ainda que correntes marítimas podem ter levado o barco da África até o litoral paraense e que a viagem pode ter durado meses.

Segundo o doutor em oceanografia Yuri Prestes, a embarcação pode ter sofrido influência de correntes marítimas e de ventos do Oceano Atlântico, que a levaram da costa africana para o litoral brasileiro. O trajeto pode ter levado meses.

“Eles estavam sujeitos somente às correntes oceânicas, uma estimativa de pelo menos seis meses. Do Norte da África até atravessar o Atlântico, e alcançar a região Norte do Brasil. É uma estimativa que a gente consegue apontar”.

O superintendente da PF no Pará, José Roberto Peres, explica que na fase inicial das investigações “cada corpo é identificado minuciosamente e posteriormente, através da Interpol, são analisadas listas de desaparecidos, de pessoas reclamadas de outros países”.

“Os países da África participam da Interpol onde se suspeita que seja a origem desse barco, e a gente faz um checklist desses corpos que foram identificados com essas pessoas desaparecidas pra identificar aquelas que são reclamadas”.

Foram nove corpos encontrados em Bragança, no nordeste do Pará, enviados para o Instituto Médico Legal (IML) em Belém. Todos em avançado estado de decomposição.

Oito das vítimas estavam no barco encontrado no sábado (13) por pescadores no litoral paraense. Um nono corpo foi achado na água próximo à área onde o barco estava.

Além da identidade, o objetivo da perícia é indicar a causa das mortes e estimar há quanto tempo as pessoas morreram.

Peritos vão analisar amostras de DNA, digitais e a arcada dentária para identificar as pessoas encontradas mortas. As informações serão compartilhadas com a Interpol, segundo o superintendente da PF no Pará, José Roberto Peres. O objetivo é apurar se há reclamação de pessoas desaparecidas.

De acordo com a PF, documentos e objetos localizados na embarcação sugerem que as vítimas são da Mauritânia e do Mali, na África. A PF informou que não descarta que haja pessoas de outras nacionalidades e que investiga de onde o barco partiu.

A embarcação de 13 metros foi localizada em área conhecida como “Barra do Quatipuru”, nas proximidades da praia de Ajuruteua, em Bragança, distante cerca de 215 quilômetros de Belém, na região conhecida como Salgado Paraense.

Na segunda-feira (15), equipes da PF, Marinha e Corpo de Bombeiros retiraram a embarcação da água para levar ao posto da Polícia Científica em Bragança. O barco também vai passar por perícia feita pela Marinha.

Já os corpos, no Instituto Médico Legal (IML), em trabalho de identificação de vítimas de desastres utilizado pela Interpol, como o que ocorreu com as vítimas da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais. Ainda não há previsão para conclusão.

 

Fonte: www.g1.globo.com.br



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